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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sussurro de Maria

Às 18h30 do trânsito da capital paulista, prestes a levantar vôo rumo ao caos de carros.

Em meio a todas aquelas buzinas ensurdecedoras, alguém fez a diferença... Uma doce vozinha disse ao meu ouvido para descer dali, que 2009 seria um ano bom pra mim.

Provavelmente o que ouvi foi só uma abelha ou qualquer outro inseto... Talvez até uma libélula.

Mas não contestei, acreditei, e voltei pra casa.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Segredos Coloridos

Deitado encima do seu peito, falando bobagem, enquanto não começa aquele programa que você odeia.
Você desliza a mão por mim, enquanto eu finjo que não percebo. Você finge que não liga; mas eu finjo melhor.
Me beija de olhos fechados, entrelaçando suas pernas em mim de qualquer jeito. Sinto seu coração bater nas minhas costas, e ouço a abertura de "SATC" na TV.
Te beijo de olhos abertos, desenroscando suas pernas de mim desse jeito sem jeito !

Você suspira e sai batendo o pé bravinho e completamente apaixonado; passando de propósito na frente da televisão, no exato instante em que mostra o nome do episódio, e ligando o chuveiro de uma vez.

... No box embassado superlotação de duas pessoas, e na sala a só a TV. Ligada, sozinha, exibindo o meu episódio favorito de Sex and The City.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

As verdades que as pessoas não falam


Desde pequeno sempre observei muito as pessoas.
Observava os estranhos na rua, os amigos dos meus pais, os meus irmãos... Todo mundo.
E é desde cedo que aprendemos certos 'dogmas' socias que teimamos em repetir, e por isso que eles perpetuam ao longo das gerações.
Sempre vi chegarem as visitas mais inconvenientes bem no horário da janta. E observei que minha mãe, mesmo cansada, fazia questão de convidar todos para entrar e fazer sala até esse povo encher o cu de comida, para só então ir embora.
E o pior, é que a minha mãe tinha a cara de pau de falar:
- Mas vocês já vão? Está tão cedo!
Cedo??? Eles chegaram há mais de 5 horas. Daqui a pouco eles fazem a digestão de tudo que filaram aqui e ainda vão querer usar o banheiro.

Nunca frequentei a igreja, mas sempre que vou sinto uma paz muito grande... Uma paz tão grande, mas tão grande que eu durmo na hora.
Na maioria das missas que eu já assisti, a acústica da igreja era péssia e os padres nunca têm uma boa dicção.
Eles poderiam incluir sessões de fono no curso profissionalizante que forma padres e fiéis; assim eles poderiam se fazer entender um pouco melhor e quem sabe assim a missa não me desse tanto sono.

Cresci ouvindo de tias e amigos dos meus pais, "nossa menino como você cresceu" ! Eles falavam apertando a minha bochecha, ou alguma outra parte mais flácida do meu corpo, que eu odeio, mas eles fazem questão de colocar em evidência.
Já que é para expor um ao outro, vamos todo mundo fazer uma roda.
Não era para falar? Então vamos falar... Vamos dar nomes aos bois e as vacas.
Quantos divórcios você têm na sua família? Na minha não houveram divórcios, mas sim abandonos... O que é muito pior.
Eu nem me casei ainda, e já fui deixado também. Mas deixa isso pra lá... Eu já sai do centro da roda, estamos aqui para falar de vocês. Porque falar do outro é sempre mais legal, né?!
Por isso vamos continuar....
Você, isso você mesmo... Que me olha de rabo de olho, me critica; mas me deseja.
Não precisa nem se identificar no meio da multidão, não você não é disso.
Você fica de canto nas festas sempre olhando enquanto eu danço aquelas músicas da Rihanna que você também sabe de cor... Você que usa só roupas cinza e preto, porque preto emagrece.
O seu medo de viver e o seu cabelo sem corte falam mais do que esse texto.
Graças a deus que eu não sou você.
Eu gosto de preto também... Mas posso usar todas as outras do arco-irís se eu qiuser.
E você continua olhando, de longe.

Todo romântico é chato !
E eu odeio quando estou romântico e não percebo o quão brega estou sendo... Outro dia no metrô tinha um cara segurando um arranjo de orquídeas. E ele foi segurando isso no vagão CHEIO da estação Barra Funda à estação Consolação.
- Que babaca! - Eu pensei
Aposto que no cartão deve estar escrito alguma coisa bem clichê do tipo "Não consigo ficar longe de você" ou ainda o fatídico "Eu Te Amo".
Você que está lendo esse texto, pare agora e pense por um momento... Quantas vezes já te mandaram alguma letra de música bem clichê do tipo "Por Você" (Barão Vermelho).
Sabe aquela? "Por você... eu dançaria Tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô, eu iria a pé do Rio à Salvador"
¬¬
Eu nunca dançaria Tango, muito menos no teto! Jamaaaais limparia os trilhos do metrô à menos que estivesse muito bêbado... hahahah Imagina essa brisa? Ir limpando os trilhos do metrô chapado hahaha... E quanto a ir a pé do Rio à Salvador? ¬¬ Eu tenho preguiça até de fazer o percurso até a minha faculdade, que eu faço de ônibus, então não preciso nem comentar, né?!
Esses dias recebi um convite de casamento que trazia o poema de Camões no envelope. Minha mãe achou lindo... E eu pensei: "Tem coisa mais batida que Camões?"
Outra coisa que me deixa indignado; Porque as pessoas teimam em aplaudir o hino nacional?
Será que alguém pode dizer pra elas que aplaudir o hino é tão feio quanto arrotar à mesa.
Aliás... não é a mesma coisa não. Arrotar à mesa é ótimo. É sinal que você comeu bem.
Quando você pequeno nos fazem arrotar para não engasgar, mas depois de velhos, barbados, carteira de trabalho e tal, tudo vira falta de educação!

Por que a novela das 8 começa às 9?
Por que os presidentes dos países de primeiro mundo não pegam as máquinas de fazer dinheiro e fazem dinheiro pra todo mundo? Assim ninguém passaria fome, e todo mundo teria dinheiro pra ir no show da Madonna.
Por que nós nunca ligamos pra aquele cara bonzinho que nos paga as bebidas na balada, mas estamos sempre atrás de um babaca que nunca nos atende no celular?
Por que batata frita faz mal e pepino faz bem? Por que pepino não tem gosto de batata frita e vice-versa?
Qual é o sentido em usar desodorante sem perfume? E por que sempre brigamos com as melhores amigas?

Alguém precisa avisar os nossos amigos heterosexuais que as mulheres que saem na Playboy não existem (não com aquelas medidas). Que existe um programa chamado Photoshop que as deixa daquela forma, aliás, é um programa bem importante para o currículo deles também.
Aliás, já aproveita e tira uma curiosidade: Por que eles abrem tanto as pernas quando estão sentados no ônibus? É algum código super secreto da associação dos héteros mais machos do Brasil? Quanto mais abertas as pernas, menor o cérebro? Se for isso, agora, tudo faz sentido!
Algúém devia sugerir que Clarice Linspector fosse leitura obrigatória nas escolas.
Alguém devia avisar a Amy Winehouse pra ela pegar leve; e que fumar crack não é fazer bolinha de sabão.

Essa parte um pouco mais social do meu 'eu' acabou amolecendo um pouco o meu coração, e pelo jeito minha cabeça também... Talvez minha mãe estivesse certa em fazer as pessoas que frequentavam a nossa casa sentirem-se bem. Afinal nunca se sabe quando vamos precisar de dinheiro emprestado, ou mesmo algum lugar para dormir.
Prometo ter um pouco mais de modos a mesa, e ter mais paciência com os românticos.

"Eu mudaria até o meu nome", - É, eu escolheria um nome proparoxítono dessa vez, quem sabe desse mais sorte.

"Eu viveria em greve de fome", - Eu já vivo em crise com as minhas dietas relâmpago mesmo.

"Desejaria todo dia, a mesma mulher" - HAHAHAHHA ISSO JAMAIS !

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mesa para um


Desculpe... Aliás, desculpe começar um texto com a palavra "desculpe", mas é que eu realmente não quero que você prossiga. E não encontrei outra maneira mais educada de interrompê-lo, que não fosse justamente pedindo desculpas.
Ai sabe de uma coisa? Faz assim... Eu termino o meu cigarro, pago essa cerveja, faço questão... Depois fingimos que nunca nos conhecemos, tá!? Quero apagar da minha mente esses últimos momentos.
Você não entende a diferença? Eu tô cagando para um monte de coisas que você acha essencial! Sabe aquele garoto sentado atrás de mim? Isso... esse mesmo que você não parou de olhar enquanto eu falava sobre um monte de coisas que você não entende, então, eu já dei pra ele.

E sabe o que foi pior do que a péssima foda que tivemos? Foi que ele era silencioso, em tudo. Ele não falou nada nem antes, nem durante e nem depois; Nenhum palavrãozinho sequer... Que ele é lindo eu não posso negar; e no começo eu fiquei até frustrado por ele ser tão tapadinho, mas com o passar das horas eu percebi que se ele tivesse aberto a boca, teria sido muito pior!
Não quero repetir o mesmo erro com você. Não preciso dormir com você para perceber que você é um babaca, sendo que eu já percebi isso nos primeiros eternos 10 minutos que você só falou besteira.

Eu vou atravessar a rua, telefonar para algumas amigas e sair com gente que fala a minha língua, você pode ficar a vontade para falar com o guri aqui atrás, ou melhor, porque você não vai pra casa procurar no dicionário metade das palavras que eu te falei?

Não é que eu seja esnobe gato, mais uma vez você não me compreende... É que eu não perco mais o meu tempo, saca? Sou aquele cara que sempre chega atrasado, mas traz sempre alguma novidade... Mesmo que ela seja de 1980.
Sou aquele que está rindo alto na mesa ao lado com amigos em meio a alguma discussão inteligente ou jogando "EU NUNCA".
Sou aquele outro cara sentado quieto e concentrado lendo um livro enquanto meus amigos não chegam. Aquele que você só descobre que usa óculos quando vai ao cinema, que coleciona coisas bobas e que quando tem dinheiro paga a conta, mas quando não tem pede emprestado na maior cara de pau.

E por favor, não culpe o amor! Eu já morri de amor também, mas também já morri de rir. Aprendi que sorrir é sempre o melhor remédio, mesmo que muitas vezes quem ri demais, acabe chorando.

Acho patético a facilidade com que as pessoas se apaixonam. Mas eu compreendo que o ser humano precisa acreditar em alguma coisa desesperadamente... Afinal se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo - Por isso, fique aí se quiser, mas não desperdice mais o meu precioso tempo.

- Graçom! Mesa para um; e mais uma skol com apenas um copo, por favor.

domingo, 26 de outubro de 2008

Epifania

Eu vou facilitar as coisas pra você.Vou facilitar pra você leitor preguiçoso, curioso e mesquinho e vai de página em página procurando fragmentos dos outros para compor a sua própria personalidade.
Vou facilitar pra você, que avalia as outras pessoas através de fotos bem tiradas quase sempre photoshopadas.Vou facilitar para todos aqueles uns que buscam a complementação da sua imperfeição numa idealização da perfeição alheia, porque é muito fácil exigir dos outros tudo aquilo que você não consegue fazer; por isso não coloque suas expectativas em mim!
Eu não tenho culpa pelo que você se tornou! O que você fez com todos os conselhos que eu te dei? Os meus conselhos quase sempre eram bons... Mas o ser humano é experimental e deve bater a própria cabeça na parede para acreditar que sangra. Por isso, sangre.

Facilitarei a compreensão desse texto para todos aqueles que nasceram por engano. Nasceram de um instante que o criador se distraiu com algum belo par de pernas (peludas ou não) e acabaram se misturando entre as pessoas de bem.A você, que lê bons poemas por indicação... Você já descobriu um grande poeta? Você já escreveu um poema? E por favor, não me venha com rimas fáceis do tipo: “amor e dor”.

Você já prestou atenção na letra da música que você sabe de cor? Com o passar do tempo você percebe que a vida pode ser muito mais simples... Percebe que o peso do mundo não está todo nas suas costas. Mas as pequenas responsabilidades confiadas a você podem aliviar as costas de outras pessoas.
Eu descobri que não dói e não é vergonha nenhuma ficar de joelhos. Porque a minha frente há somente um altar, e atrás de mim de agora em diante não haverá mais ninguém senão aquele que deve chegar a qualquer momento...

Em plena quarta-feira, em meio à loucura cotidiana da cidade de São Paulo eu me recusei a vestir a minha farda. Removi a minha coleira, e caminhei livre por entre o trânsito das 18h.Percebi que aos poucos eu já não ouvia mais as buzinas, nem sentia o calor, que de fato fazia. Fui transportado para um lugar onde todos já estavam descalços e não havia fumaça. As pessoas pareciam estar em uma grande convenção comemorativa, pois todos estavam realmente felizes e conversando muito empolgados sobre um mesmo assunto.
Aos poucos pude observar que caminhava rumo a um jardim imenso. Repleto de pequenos animais de todas as espécies rolando em meio a flores e folhas bem conservadas e extremamente coloridas. Será que eu havia morrido?

Olhei para o meu lado direito e avistei algumas crianças. Ao chegar mais perto percebi que se tratava de 2 meninos brincando de bonecas. Deduzi então o quão longe de casa eu estava; e sem a menor vontade nem pressa de voltar.
Eu não fazia a mínima idéia de onde haviam saído todas aquelas pessoas, que pareciam tão felizes e harmoniosas entre si, mas de alguma forma eu sabia que as conhecia de algum lugar... Provavelmente são pessoas que deveriam ter passado pela vida em algum momento, mas fatores externos impediram-nos de nos conhecer.
Ao prestar mais atenção em suas feições, fui reconhecendo algumas.
Havia um menino, de possivelmente 1 ou 2 anos de idade no máximo, que chamou minha atenção.
Certa vez no metrô em uma quinta-feira chuvosa próximo ao centro de São Paulo ele estava no colo da mãe que caminhava apressadamente para pegar um lugar no vagão cheio. Me lembro perfeitamente das bochechas do menino, vermelhas pelo calor, balançando muito a medida que a mãe corria rumo ao trem. Era como se ele me pedisse ajuda com olhar, como se o mundo dele estivesse chacoalhando muito. Eles não conseguiram chegar a tempo, e a porta se fechou, e o que mais me chamou a atenção foi que enquanto sua mãe ficou realmente nervosa por não ter conseguido entrar no vagão ele sorriu pra mim aliviado. E eu sorri para ele também.
Lá estava ele, no colo da mesma mulher, porém ela estava serena, calma e sorridente brincando e dançando com ele, já um pouco mais crescido.
Percebi então que reconhecia várias pessoas e elas me conheciam também.
Brinquei de bonecas com os meninos, cumprimentei o menino e sua mãe, joguei boliche com um grupo de senhores que estava por ali, e molhei meus pés em um lago depois de uma longa caminhada.Ainda deitado perto do lago, avistei um garoto muito parecido comigo. Ele tinha o meu biótipo, cabelos mais cumpridos, bem cacheados, era um pouco mais alto e muito sorridente... Ele se aproximou e eu levantei. Antes que ele dissesse qualquer coisa, já me apresentei, imediatamente ele respondeu que sabia quem eu era.Disse que sabia tudo sobre mim, e que estava me esperando.Eu o reconheci de algum lugar; e no instante que eu lembrei seu nome, ele me beijou.
Senti tudo ao mesmo tempo. Com o beijo dele, senti também seu cheiro, senti o cheiro das flores que estavam a nossa, senti a água batendo em nossos pés descalços... Ouvi os ruídos das crianças brincando a nossa volta e muito ao longe um estranho ruído um pouco incômodo.
Eu estava sentindo absolutamente tudo que acontecia a nossa volta. Todos os meus sentidos estavam aguçados. À medida que paramos de nos beijar, nos tocávamos levemente no rosto um do outro. Foi então que ele sussurrou para mim apenas uma pequena frase. Ele disse: “No amor não existe dor” - Eu sorri chorando e olhando para ele.

De repente o tal barulho incômodo começou a ser mais constante e já quase ensurdecedor. Foi então que protegi meus ouvidos com as mãos e avistei ele desaparecer me deixando apenas com uma pequena flor amarela entre os dedos.

Ao perceber o que estava acontecendo tentei ir atrás dele, mas não conseguia enxergá-lo em meio aos carros que agora já buzinavam sem parar e a fumaça cinza que já machucava meus olhos, cheios de lágrimas. Eu estava de volta ao trânsito da cidade de São Paulo às 18h. Já calçando meu allstar favorito e sujo, carregava minha mochila e sentia meu celular vibrando no meu bolso... Ao retirá-lo vi que não havia nenhuma chamada não atendida, nem mensagem de texto nem nada. Mas qual não foi minha surpresa ao perceber que junto com ele, no meu bolso estava a pequena flor amarela que eu havia ganhado.
Eu não havia sonhado, não estava sob o efeito de nenhuma droga, nem muito menos tão pouco havia morrido.Eu estava mais vivo do que nunca, estava renovado, repleto de esperanças e paz.As buzinas já não me incomodavam mais, nem o calor....

Eu vou facilitar
as coisas pra você.
Vou facilitar pra você leitor concentrado e sensível capaz de enxergar a verdade através da minha realidade.Pra você que, assim como eu, repara nas feições das pessoas que passam por você nas ruas, imaginando qual será a história de cada uma delas.Vou facilitar para aqueles que enxergam com os olhos do coração, que pulsa ao enxergar o bem que existe dentro de cada um de nós.
E sorrindo para estranhos na rua, eu me lembrei que na minha epifania, ele havia sussurrado no meu ouvido a rima mais fácil e o clichê mais barato, mas que havia mudado a minha vida pra sempre...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Príncipes Encantados Não Aparecem num Sábado à Noite



Quem nunca foi ao shopping numa terça-feira morta e entediante procurar o que usar em um encontro no sábado, muitas vezes com alguém que você ainda nem sabe quem é?
O ser humano nutre um desejo secreto e desesperado de encontrar alguém para si.
Alguém para dividir os momentos bons e ruins, alguém para poder comprar e ganhar presentes no "dia dos namorados".
Aquele para sentir um ciúme bobo ou doentio; e alguém que também sinta ciúmes de você.
Que use meias pretas com bermudas e você finge que não repara.... Alguém que esprema os cravos do seu rosto enquanto você finge que não dói só para ficar mais tempo naquela posição; porque a sensação dos dedos dele sobre o seu rosto e a visão com fácil acesso a boca dele é a melhor coisa do mundo!
Alguém para discutir qual filme assistir na fila do cinema, debater sobre ele ao final da sessão e daqui algum tempo, quando vocês já não estiverem mais juntos, lembrar com saudades desse dia quando vir pôsteres do filme espalhados por aí, anunciando seu lançamento em DVD.
Planejar viagens, mudar os planos, fazer depilação, discutir nomes de crianças que provavelmente nunca irão nascer...
Alguém que podemos passar horas beijando, cujas mãos você já conhece e adora o formato. Principalmente quando elas percorrem seu corpo, sem pedir licença - porque a intimidade não pede licença, descobrindo e explorando cada pedacinho, cada ponto tímido, íntimo e fraco.
Alguém com quem transamos de luz acesa.
...
Todo mundo, por mais que não saiba ou não assuma está à espera de algo assim.
Esse amor que a primeira vista pode parecer um pouco piegas e até tradicional demais pode vir em diversos formatos, e com certeza você se identifica com algum deles.
Podem ser duas mãos dadas sempre acompanhando as novidades dos cinemas todas as sextas-feiras ou sessão pipoca em casa aos sábados à noite, com pés de meias se esquentando. Ou ainda dois pares de allstar’s sujos andando de jeans e moletom por lugares inusitados que vocês ingenuamente acharão que só vocês conhecem...

Isso sem falar nas músicas. Todo casal possuiu no mínimo umas duzentas músicas! Conheço pessoas que idealizam uma trilha sonora antes mesmo de encontrar o par romântico e sonham com os beijos esboçados ao som das mais bregas canções.
A cidade é um verdadeiro mar de rosas para quem está apaixonado. Cheia de buracos estratégicos para aquelas aventuras que você adora sorrir timidamente ao lembrar no meio da semana. Na época do famoso “dia dos namorados” tem até promoção de aparelhos de celular para os pombinhos; aquela publicidade cafona do tipo: “Fale mais com seu amor, por menos!”
Porém para as metades espalhadas por aí a cidade se torna um verdadeiro campo minado. Cheia de armadilhas e dispositivos explosivos que se acionados deixam seqüelas que vão de leves a traumatizantes.
Músicas que tocam na hora errada e o despeito a cada outdor apaixonado que somos obrigados a observar. Os anúncios de promoções são os mais irritantes para os corações gelados!
Porque mesmo que você queira aproveitar a facilidade financeira que a maldita ocasião proporciona e ir ao shopping se dar algum presente como prêmio de consolação, você repara naquela atmosfera cheia de corações que paira sobre as pessoas, então você compra algum sorvete novo “super” calórico, que provavelmente faz você se arrepender logo em seguida.
Ao realizar sua compra em sua loja favorita e liberar e endorfina necessária para te anestesiar da sua dor, pelo menos momentaneamente (afinal o efeito do sorvete já está passando) chega o momento que todo solteiro teme nessa época. O momento que a simpática vendedora pergunta:
- Você quer que embrulhe para presente? É pra sua namorada?
Aí você responde:
- Não, obrigado. Eu não tenho namorada.
Como se isso já não fosse constrangedor o suficiente, ela faz uma cara de piedade e solta uma das pérolas: “Daqui a pouco ela aparece.”
Aí sim você quer um buraco para se enfiar, uma passagem secreta diretamente dali para qualquer outro lugar fora daquela energia “love is in the air”.
Primeiro porque na tentativa de remediar a situação a mocinha praticamente te roga uma praga, né?! – “Ela quer que eu encontre uma mulher??? Não muito obrigado!” – Além disso, você pensa que não precisa da piedade de uma vendedora que provavelmente não possui nem o segundo grau, muito menos um namorado.
Você respira aliviado e se dirige para a saída da loja, mas ela vem lhe acompanhar para entregar suas compras e você então percebe que ela tem algo no dedo... Uma ALIANÇA (ou seja, nessa hora sua amarga teoria vai por água abaixo. Agora você tem certeza que além de ter um lindo namorado, ela provavelmente deve fazer pós em direito e trabalha ali só por hobby, e obviamente não precisa da comissão que ganhou à custa do seu coração carente enquanto você fez um significativo rombo na sua conta bancária, completamente justificável pela ocasião emergencial de crise da sua auto-estima, é claro!)
Ao se dar conta de tudo isso você decide que é hora de mudar esse quadro.
Começa desesperadamente a fazer ligações a cobrar para as fiéis amigas e amigos solteiros (que provavelmente você já beijou em algum momento) – só eles poderão te salvar na fatídica noite de sábado daquela semana.
A partir de agora você entra na vibe do “eu estou bem assim”, diz que vai se produzir para você mesmo, não vai sair para conhecer ninguém, somente para curtir com os amigos.
Chega em casa, coloca as 10 mil sacolas sobre a sua cama, toma banho já pensando na melhor roupa para esconder o excesso cometido mais cedo (o sorvete) e se arruma ouvindo aquelas músicas que dão um up na sua auto-estima.
As etapas da sua noite vão passando numa velocidade gostosa e empolgante. O encontro com os amigos, a chegada no barzinho, o primeiro gole, o segundo, o terceiro, o décimo sexto... As músicas parecem estar sendo tocadas em sua homenagem, o mundo gira ao seu redor e você quase acredita nessa sensação de bem estar que você mesmo criou.
Porém em algum momento a máscara cai. Ou melhor você tira, porque ninguém consegue segurar por muito tempo... O DJ Judas toca uma música mais românticazinha e você repara que até os seus amigos estão acompanhados agora. Já passa das 3:00 da manhã e você, entediado, começa a reparar na decoração do lugar, nos nomes dos drinks no cardápio, nos ponteiros do relógio... Pensa se vai comer ou não um Hot Dog ao sair da balada, pensa que mais uma vez não valeu a pena.
Os casais ao seu redor sorriem um para o outro cantando pedaços de músicas no ouvido do parceiro enquanto se abraçam de olhos fechados.
Sua auto-suficiência acaba, e você resolve ir embora.
Porém nesse momento algo muda. Alguém te aborda, perguntando se pode te conhecer.
Você ainda nem se virou, nem sequer viu o rosto do indivíduo, mas já sorri por dentro, porque no fundo todo mundo gosta de ser abordado assim.
Você se vira e conversa um pouco, bem pouco mesmo, só o básico para essa primeira etapa: nome, idade, profissão.
Acontece um beijo roubado com a sua permissão e as mãos meio bêbadas e carentes se acariciam receosas.
Como já é tarde, em algum momento ele vai dizer que precisa ir embora, e mesmo que você tenha curtido o momento, algo te bloqueia e você não quer pedir o telefone dele, porque isso já é um risco muito grande.
Mas então ele impressiona:
- Vamos trocar telefones?
Nossa... Você ficou realmente surpreso, quem sabe todo contexto até aqui terá valido a pena? Será que dessa vez será diferente? Será que ele é diferente? É o cara certo?
Ele vai embora e você decide que está na hora de ir também, afinal você tem que estar em casa quando o telefone tocar.
Se ele ligar você marca um encontro, sente um friozinho na barriga, atrasa um pouquinho, faz um charme e sai para jantar... Mas se ele não ligar, você não sente nada! Nada de novo, isso é comum pra você.
Mas você, ligar, NUNCA! A probabilidade de você se machucar nesse caso é um milhão de vezes maior.
Passa segunda, terça... E nada. Mesmo sabendo que príncipes encantados não aparecem num sábado à noite, você espera. E lá pra sexta-feira, já sem esperanças você pensa que alguém devia inventar uma espécie de Engov pra relacionamentos! Você se previne e toma um antes. Caso as coisas não saiam como o planejado, você toma o segundo eliminando o mal estar da sensação de mais uma vez, ter se iludido.

terça-feira, 22 de abril de 2008

O poder que eu te dei




Às vezes me pego olhando para as minhas mãos.
Elas não são grandes, muito pelo contrário...
São pequenas, eu diria que pequenas demais para carregar a minha pesada bagagem de mão.
Uso as minhas mãos e fixo as minhas unhas com toda a força dos meus 1,55 de altura nos seus pés cansados de me abandonar, torcendo os meus pés cansados de te seguir.
Sinto minha raiva arder ao longo da minha espinha e doer na parte da frente., porque é justamente lá no coração que você desfilou com a sua escola de samba nazista deixando somente estragos feitos por um amor irresponsável reduzido as cinzas de carnaval.

Mas assim como a Fênix eu renasço. Eu cresço e apareço... Porque eu mereço!
Beijo amigo, beijo sapo, beijo sapa, beijo gringa, beijo com pinga, beijo sem amor, beijo até o espelho e o box do banheiro, eu canto no chuveiro.
E vôo com o vento, vou no evento e esqueço do lamento... Nem lembro de você mais do que uma vez por dia.
Eu me refaço, arrumo emprego, arrumo meu armário, arrumo o cabelo, minhas ações estão em alta e minha pele até melhora; aliás eu troco de pele! Extraio todo o seu veneno do meu corpo e alma cuspindo pra cima. A minha chama finalmente se reascende!

Mas, como uma catástrofe natural que não tem data nem dia para acontecer, assim como um vulcão que simplesmente entra em erupção sem aviso prévio você volta e me apaga. Estragando uma semente boa de auto estima plantada por amigos pacientes.
E por mais incontestável que seja o estrago da tragédia, as vítimas do acidente só foram atingidas porque construíram suas moradias perto do vulcão... E na minha moradia, você está sempre de saída.
Eu descobri que o gelo também queima.
...
Coloco a minha cabeça entra as minhas mãos, minhas pequenas mãos, e acaricio meus próprios cabelos buscando alguma sanidade e suprindo alguma carência que provavelmente você criou.
Tento encontrar alguma outra saída que não seja pela porta dos fundos... mas não há.
Fui eu quem ficou na casa vazia que nem era minha.
As horas que seguem são formadas por minutos problemáticos e paranóicos de mil segundos cada um.
Você me roubou a paz de novo. Me encheu a cabeça, e me perdeu como quem perde um objeto que já não é mais útil.
Eu perco meu tempo, gasto meu dinheiro, gasto minha retórica tentando encontrar razões para justificar mais um abandono.
Eu bato as portas, bato com a cabeça na parede, eu preciso e vou ser ouvida! Eu digo e repito os detalhes da nossa história banal para quem quiser ouvir. Parece morte, mas é só mágoa.
Eu acordo rouca quase louca, e mesmo sem voz continuo expondo minhas impressões em queixumes e gritos mudos de dor que me dilaceram o peito e aliviam a alma.

Hiroshima e Nagazaki foram totalmente destruídas para então ressurgir mais fortes. Mas eu não sou uma nação, e muito menos tenho ajuda do governo para me refazer... Quantas vezes eu aguento ser destruída?
A nossa história patética já faz bodas de prata!
Eu te dou o meu suor, o meu melhor. te dou pedaços e detalhes de mim que eu nem sabia que tinha... te dei meu corpo, minha alegria, minha autonomia, minha anatomia e minha filosofia...
Quando um novo amor aparecer... Alguém assim; mais magro, menos bonito, mais tímido, mais humano também... ele vai me encontrar receosa e na defensiva. Vai me encontrar com o couro gasto de tanto me chicotear... e vai fazer carinho por cima das feridas que você me causou.
Mesmo que esse alguém não me faça sorrir tanto, me contentarei se ao menos ele simplesmente não me fizer chorar mais. Já é meio caminho andado, pra frente.
Sem voltas!

Então, por favor, para de falar por aí que eu sou uma boa pessoa. Eu sou, mas não quero que saibam isso da sua boca...
Sua boca me beijava olhando o relógio
O seu sorriso diminui o seu olhar, e o seu olhar mente mais do que a sua boca!
Porque da sua boca, eu nunca ouvi nada que me fizesse acreditar que seria diferente... Eu acreditei em você por nós duas.
Eu apostei tudo que eu tinha, e você nem sequer jogou.
...
Eu nunca vou atingir o meu limite, esse ciclo é contínuo.
O sádico e o masoquista se completam...
... como a guerra e a paz ...
... amor e ódio ...
... o bem e o mal ...
... a água e o sal ...
... você e o normal ...
Assim como Romeu e Julieta.
Só que eles morreram; e eu... Eu quero viver!
E você? Vai ficar aí?




quarta-feira, 2 de abril de 2008

Intro


Homo sapiens, bípede, masculino. vertebrado, bipolar, racional, porém emocional. 2.1 com pouca quilometragem rodada. hahaha
Nem muito alto, nem muito baixo. Meu peso é variável de acordo com o meu humor e auto estima.
... Chego cansado, saio atrasado, durmo pelado, fico amassado, sou empolgado, acordo excitado... Sou ansioso, teimoso, cheiroso, cuidadoso orgulhoso, maldoso... Malvado, safado, engraçado, educado... Sou intenso. Entrego-me e quero tudo o que você tiver em retribuição.
Sou muito paciente, mas não venha passar aspirador perto de mim quando estiver no telefone, né!?
Odeio o espaço ridículo que deixam para preenchimento de campo “e-mail” em qualquer formulário de dados que deve ser preenchido em letras de forma! Meu nome nunca cabe inteiro então tenho que contar todas as letras do meu nome para saber qual a melhor forma de abreviá-lo, ou seja até nisso temos que nos adaptar aquilo que esperam de nós.
Eu brinquei de comandos em ação, assisti ursinhos carinhosos, caverna do dragão depois X-man. Já acreditei em Papai Noel e chorei no último show da Xuxa quando ela ia embora na nave segurando a mão de um baixinho sem dentes que chorava mais que eu. (agora já sei que na verdade ela estava beliscando o menino) e anos mais tarde descobri o “Amor estranho amor”. ¬¬

Não sei andar de bicicleta e às vezes perco noites de sono tentando descobrir um pouco mais de mim mesmo ou porque decidi do nada que é hora de arrumar o quarto.
Adoro sair pra jantar e baladas, mas também adoro ficar em casa de pijama e meia assistindo filmes e comendo pipocas de microondas.
Sou daquelas pessoas adoráveis que lembra as datas, repara em letras de músicas e estampas de camisetas.
Adoro crianças, adoro dinheiro, adoro piscina, adoro dar presentes, adoro ganhar e dar abraços... E adoro meus amigos; principalmente os verdadeiros!
Não gosto de feijão nem de leite... Nem de ilusão. Não gosto de ser enganado nem de injeção.
Odeio coisas fora do meu alcance na vida e na mesa.
Sexo tem que ser de luz apagada, se eu fizer com a luz acesa, é porque eu gosto de você...
Sempre queimo a boca pra comer pastel de feira, às vezes critico meu corpo para ouvir elogios.
Acredito em teorias do amor e horóscopo só quando elas favorecem o meu signo e o meu coração.
As coisas nem sempre tem um final feliz e chega uma hora que a Branca de Neve não deve mais esperar ser salva e levantar do caixão de cristal, cuspir a maçã e arrumar um emprego; afinal os metrôs estão circulando com velocidade reduzida, devido a um objeto na via, e certamente o príncipe não vem mais à cavalo.
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Não entendo de política, mas pelo menos não votei no Lula.

Meus fones de mp3 ou celular sempre dão nó porque eu guardo tudo bagunçado e quando eles param de funcionar eu fico puto.
Odeio mancha de cândida nas minhas roupas e cabelo no meu copo! Tem coisa mais nojenta que cabelos por aí?!
Gosto de corpos sarados no anúncio de roupa íntima, mas prefiro um sorriso tímido escondido em um aparelho sorrindo pra mim.
Odeio as modelos que tatuam o nome do namorado da semana, envolto em um tribal... Aliás, o que é um tribal?

Gosto de mãos dadas, pés que se esquentam, beijos demorados, cinturas envoltas por toalhas iguais, cócegas e caras de sono.
“Fazer compras junto, escolher iogurte, pintura a 4 mãos, água de copo para dois, o mesmo cigarro... Isso é amor.”

Há algo descontraído e um pouco erótico na beleza exótica dos cabelos cacheados que alguns dias são maleáveis e fáceis de se domar; mas em outros são complicados e impossíveis de se lidar!
... E aquele que não agüenta o tranco de lidar com um amor bem humorado, sexual e adorável de cabelos cacheados sempre vai embora atrás do amor tranqüilo, tradicional e assexuado de cabelos lisos e sem segredos ...

=)