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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mesa para um


Desculpe... Aliás, desculpe começar um texto com a palavra "desculpe", mas é que eu realmente não quero que você prossiga. E não encontrei outra maneira mais educada de interrompê-lo, que não fosse justamente pedindo desculpas.
Ai sabe de uma coisa? Faz assim... Eu termino o meu cigarro, pago essa cerveja, faço questão... Depois fingimos que nunca nos conhecemos, tá!? Quero apagar da minha mente esses últimos momentos.
Você não entende a diferença? Eu tô cagando para um monte de coisas que você acha essencial! Sabe aquele garoto sentado atrás de mim? Isso... esse mesmo que você não parou de olhar enquanto eu falava sobre um monte de coisas que você não entende, então, eu já dei pra ele.

E sabe o que foi pior do que a péssima foda que tivemos? Foi que ele era silencioso, em tudo. Ele não falou nada nem antes, nem durante e nem depois; Nenhum palavrãozinho sequer... Que ele é lindo eu não posso negar; e no começo eu fiquei até frustrado por ele ser tão tapadinho, mas com o passar das horas eu percebi que se ele tivesse aberto a boca, teria sido muito pior!
Não quero repetir o mesmo erro com você. Não preciso dormir com você para perceber que você é um babaca, sendo que eu já percebi isso nos primeiros eternos 10 minutos que você só falou besteira.

Eu vou atravessar a rua, telefonar para algumas amigas e sair com gente que fala a minha língua, você pode ficar a vontade para falar com o guri aqui atrás, ou melhor, porque você não vai pra casa procurar no dicionário metade das palavras que eu te falei?

Não é que eu seja esnobe gato, mais uma vez você não me compreende... É que eu não perco mais o meu tempo, saca? Sou aquele cara que sempre chega atrasado, mas traz sempre alguma novidade... Mesmo que ela seja de 1980.
Sou aquele que está rindo alto na mesa ao lado com amigos em meio a alguma discussão inteligente ou jogando "EU NUNCA".
Sou aquele outro cara sentado quieto e concentrado lendo um livro enquanto meus amigos não chegam. Aquele que você só descobre que usa óculos quando vai ao cinema, que coleciona coisas bobas e que quando tem dinheiro paga a conta, mas quando não tem pede emprestado na maior cara de pau.

E por favor, não culpe o amor! Eu já morri de amor também, mas também já morri de rir. Aprendi que sorrir é sempre o melhor remédio, mesmo que muitas vezes quem ri demais, acabe chorando.

Acho patético a facilidade com que as pessoas se apaixonam. Mas eu compreendo que o ser humano precisa acreditar em alguma coisa desesperadamente... Afinal se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo - Por isso, fique aí se quiser, mas não desperdice mais o meu precioso tempo.

- Graçom! Mesa para um; e mais uma skol com apenas um copo, por favor.

5 comentários:

daniele disse...

Rafa,

Praticamente uma "Dama da Noite" versão mais light e "teen"!A lógica mental transpassada brilhantemente, de forma simples mas não menos importante, para uma "folha de papel"!Gostei muito!Parabéns!!!
Beijos irmãzinha....

Lívia Sales

Paula disse...

aiii be... amo seus textos...ja ta nos meu favoritos... OBVIO...

O bom eh que sempre me identifico com os textos.. acho que somos bem parecidos neh... tirando que o PODER QUE TE DEI... EH SOH MEU.. hahah sou egoista rs.. zuera beee..

esse texto mostra como eh importante as amizades.. e como eh um saco ficar conhecendo GENTE... gentinha.. eu ja cansei.. quero algo pronto e vc? rs quem sabe um dia criam uma maquina e agt monta a pessoa exatamente como queremos , que tal? ia facilita minha vida e meu drama rs...

TE AMO BEE

Isaias disse...

simplesmente otimo....parabens, vc tem um grande poder com as palavras e sabe como usa-las.
Um grande abraço!
;)
Isaias Kelvin

Juliana disse...

Ah!!! è realmente triste vc sentar numa mesa, pegar uma cerveja, porque te dá prazer, e acender um cigarro,e preparar todo o clima, como se fosse encontar um amigo, alguém pra conversar... e de repente irrompe essa , mente inquieta, carregando todo esse acúmulo de informações parece até que vai explodir se não viver a tensão de dizer tudo aquilo, só pra sentir um alívio momentãneo,e, na semana seguinte outro bar e mais uma sessão de descarrego psíquico. E assim aquele que se senta nessa mesa vai vivendo, porre atrás de porre seja ele mental ou etílico.
E, mas é claro que depois ele precisa sair com as amigas, ou alguém que o entenda porque, ele mesmo não consegue se entender e não aguenta ouvir de sí toda aquela confusão. Mas que bom que isso também passa né!!! após alguns anos vc se senta num bar, numa calçada ou seja onde for, e, já nem se incomoda mais com o que vai vir adiante não, pois as coisas que te causavam incomodo, já te trazem paz. E vc só quer ficar alí, degustando tua cerveja e teu cigarro com prazer, olhando o movimento da galera e ver aqueles que se pareciam com vc há um tempo atrás. E sentir uma certa auto suficiência por ter chegado no estágio em que chegou, de só observar e se sentir bem ali numa mesa para um tomando akela sua cerveja, e que você com certeza cosegue sentir bem o gosto.
bjss Rafa

Gláucia Firmino disse...

Certos encontros ou melhor, esbarrões nos fazem pedir aquela bebida para matar o tédio e, aproveitam pra nos acordar e indagar o velho.. O que eu estou fazendo aqui?

Felizmente, somos livres para trocar de mesa e esquecer que algum dia já estivemos na outra.

Beijo