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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Cachorro, o Palhaço e a Menina.

Era uma vez uma menina, um cachorro e um palhaço.
Na verdade são muitas meninas, poucos cachorros e inúmeros palhaços !
Mas vou contar a história desses três, em especial.
Dizem por aí que essa menina tem 1,82 de altura, e que é loirinha de olho azul.
Outros preferem a versão morena cheia de silicone e músculos burros.
Eu prefiro acreditar naquilo que me parece realmente verdadeiro.
Uma versão melhorada da última geração de mulheres de bem que já habitaram a Terra.
Daquelas mulheres pequenas no tamanho, mas que crescem com atitudes memoráveis e idéias dignas de um prêmio ou uma gargalhada.
Ela é de uma espécie rara que é capaz de perdoar.
Afinal, quem já teve o orgulho ferido e ajoelhou pedindo desculpas, sabe que a reverência não dói só nos joelhos.
Por falar em joelhos, os dela merecem atenção especial... Porque carregam uma estrutura mais resistente que muita fortaleza que tem por aí.

Essa menina não tem jeito pra balé, ela sabe judô e samba no pé.
Tem jeito com as pessoas, e não com panelas.
É de uma safra rara de mulheres que sabe a ocasião certa para usar saias.
Ela desfila de segunda a sexta vestida de brasileira e às vezes fantasiada de marinheira
É manhosa e bagunceira... Toma cerveja pra brindar o verão.... o outono, o inverno e a primavera.

Lamento por lamento ela fez uma coleção de medalhas de segundo lugar.
Tenho algumas dessas medalhas também, e uma vez sentamos para conversar sobre elas.
Falamos de sabores, sereias, cheiros, choros, Chaves e o amor.
Assim como ela, gostaria de entender algumas características do ser humano... Já percebeu que os cegos confiam nos cachorros que os guiam, mesmo estes sendo animais irracionais?
Por que não podemos confiar nas pessoas? Como algumas delas conseguem ter menos juízo que um animal que nem sequer pensa?
A resposta é simples.
O instinto do cachorro é companheiro, confiável e amável... o da maioria das pessoas não.
Entre os principais motivos que me fizeram escrever um ou mais textos sobre essa menina, foi não só a cumplicidade imediata que criamos, mas também o fato de ela possuir todas as qualidades que eu mais admiro em muitos cachorros e em poucos seres humanos.
Foi então que eu caminhei com a menina de mãos dadas, enquanto ela me falava das suas coisa, eu resolvi ser como o cachorro.
Ela me falou do seu pai enquanto lavava a louça, falou do seu emprego enquanto tomava banho e falou do seu amor enquanto ficou parada imóvel com os olhos fixos em um quadro bobo que ela pintou ainda criança...
Ela me contou por onde ela tem andado, e como foi quando ela parou de andar. Paralítica de emoções ela de repente voltara a vida.
. . . Num carro em alta velocidade que estava estacionado nos fundos de uma festa. Começou uma daquelas histórias que não se sai contando por aí... Despindo-se peça por peça da sua roupa de marca, ela foi indo em frente e se entregando.
Ignorando as placas de aviso: "Perigo" , ela sorria na cara do perigo, porque estava sendo amada, e quando somos amados tudo tem graça.
Se deixou tocar ao som de risadas bêbadas que vinham do lado de fora. Os vidros já estavam embaçados, assim como as suas idéias.
Aquela noite, só tocaram as músicas erradas.

Dizem que o palhaço não reaproveita a maquiagem, mesmo quando ele faz espetáculos consecutivos. Ele fica de cara limpa, antes de colocar a próxima máscara, mesmo que seja para encenar o mesmo papel.
Assim como os palhaços profissionais, a menina de peito aberto, aceitou o destino perigoso, desenhado na palma da sua pequena mão.
Vivenciou com perfeição a verdade absoluta de cada momento fascinante daquele amor eterno de verão; enquanto o palhaço amador reaproveitava toda maquiagem do seu último número.
"Olhe nos meus olhos" - disse o palhaço; e então a menina cedeu.
É fácil olhar nos olhos quando o resto do rosto está pintado. E agora a menina também está com a maquiagem borrada.

Ao ouvir essa história toda, não acreditei quando ouvi ela dizendo, que mesmo tendo passado por tudo isso ainda se sentia culpada.
O cachorro sorriu latindo e chorando dizendo que ela não tinha culpa nenhuma!
Mas a menina às vezes esquece que entende a língua dos cachorros.
Lavou o rosto, e de cara limpa, olhou pra mim e disse que estava tudo bem. Virou as costas, pôs uma música animada e saiu dançando e fazendo caretas, disse que estava indo pro trabalho...
E assim como o cachorro que é sempre companheiro, eu faço festa sempre que ela volta.

Um comentário:

Gláucia Firmino disse...

morri*.. Malditos palhaços..rs