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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Metamorfose

Aos 17 queremos conhecer sempre pessoas novas. Qualquer pessoa serve! O importante é ferver e se mostrar. O momento é intenso o tempo todo porque não tem pausa para refletir e tudo é descoberta. Quanto mais agitado e animado melhor e você se acha o máximo com R$50,00 na carteira, se apaixonando 5 vezes por semana e com um corpinho que nunca mais vai ter na vida.
Alguns anos depois, lá pelos 23 a coisa já muda um pouco de figura porque já rola uma consciência um pouco melhor. Nada muito significativo, você ainda se sente a última bolacha do pacote, mas agora você já começa a ter outras referências e preferências. Gosta mais de sair com as suas amigas quengas velhas de guerra, não tem muita paciência para conhecer gente nova porque acha um saco ficar repetindo o script de apresentação para estranhos e aproveita as folgas para se divertir onde você sabe que a alegria é garantida.
Já não ficamos mais com qualquer babaca só porque ele tem um tanquinho e começamos a prestar mais atenção no que as pessoas falam. Uma vez ou outra até rola um porre daqueles que a gente jura no dia seguinte que nunca mais vai beber, mas a euforia já passou e o amor ficou em stand by.
Quando chegamos aos 25, já exaustos da juventude dos 17 e entediados com a imprecisão dos 20 e poucos, começa a inquietação do caminho que leva aos 30.
Prestes a fazer 26 e já reclamando de dores nas costas, odeio quando as pessoas dizem: “Pára de fazer drama, ainda falta muito para os 30”, sendo que pelas minhas contas estou mais próximo dos 30 do que dos 20, então deixem que eu jogue a última pá de cal sob a minha juventude enterre-a de uma vez por todas!
Não tenho medo de envelhecer, mas tenho pavor de não perceber. Morrer sem ter vivido nada deve ser uma bosta!
Odeio esse momento onde você não é nem uma coisa nem outra e sente que está perdendo tempo preso numa transição morna de não saber o que vai acontecer.
Achei que entenderia certas coisas com a idade que eu tinha há anos atrás e ainda sinto que estou tão longe de descobrir a cura da minha inquietação.
Sou essa coisa disforme que ainda vai morrer teimando que é especial. Estou no o meio termo entre a larva e a borboleta, aquela personalidade que ninguém nunca viu porque ainda não existe ou é tênue demais para ser definida enquanto passa de uma para outra já que só vemos a borboleta, mas ninguém sabe o que ela passa dentro do casulo. Esse corpo estranho ainda em fase de auto-aceitação que sai de dentro do casulo morrendo de calor enquanto todos os outros estão congelando do lado de fora. Sinto que finalmente agarrei o amor e domei o sentimento de uma forma que ele não tem como me escapar. Você já sentiu o amor tão palpável que poderia segurá-lo facilmente com suas próprias mãos com a mesma segurança que segura qualquer objeto? Eu já tenho o amor em minhas mãos, mas insisto em correr ofegante de um lado para o outro, correndo o risco de derrubá-lo no chão a qualquer momento e quebrar tudo simplesmente porque quero descobrir onde posso guardá-lo em segurança. Sinto que posso morrer de felicidade a qualquer minuto justamente tentando descobrir o que fazer com ela.
É como se tivesse encontrado um diamante raro que todos querem colocar as mãos, mas pedisse para um estranho segurar para mim enquanto vou fazer xixi, sabe? E a felicidade do amor é isso. Conseguir confiar o seu coração a uma pessoa sem temer que ela te roube, machuque ou fuja com ele. Infelizmente eu nunca iria imaginar algo tão óbvio e sigo perguntando para qualquer um “O que eu faço com isso?” enquanto mostro o meu diamante para todo mundo...

2 comentários:

Fagundes Batista disse...

Bem... agora fiquei pensando onde estou?? Acabei de fazer 25 e nesse caso, não estou perto dos 20 e nem dos 30. Acho que estou no meio, certo? Se bem que me sinto tão jovem, que às vezes até penso que ainda tenho 18, outrora me acho um tanto velho e cheio de dores, sabe?! (aquele tipo de coisa que só acontece com os velhos mesmo.) Então a idade está me acompanhando e não posso mais fugir. Oh, e agora? Agora "relaxa e goza" e viva os 30!!!

flor disse...

O começo desse texto me fez lembrar quando eu me divertia na escola com cinco reais e era feliz. Agora com 23, tenho inúmeras responsabilidades rs.

Escrevi algo mais ou menos parecido com o fim do texto, sobre o amor, mas bem menos complexo, rs. Acho que quando percebemos o amor, ele não tem explicações, tudo o que queremos mostrar, é nada, não temos como explicar ou deixar algo transparecer, é tipo isso que eu não to conseguindo fazer agora.

Saiba, fazia tempo que eu não via um blog tão bom que me fizesse fazer um comentário. Parabéns!