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quarta-feira, 28 de abril de 2010

SOS Arca de Noé

Descobri recentemente que quando eu era pequeno minha mãe misturava beterraba na minha gelatina de framboesa. Lembrei-me também de ter, por diversas vezes, feito cara feia sempre que identificava o paladar estranho daquela mistura bizarra na minha sobremesa preferida. E mesmo sem nunca ter questionado, sabia que algo estava errado. Mas não tinha motivos pra desconfiar da minha própria mãe, e nem malícia o suficiente para isso.
20 anos depois de tudo que já foi falado na formação da minha educação, me pergunto o que mais foi mentira? Se a minha mãe, que deveria ser verdadeira por obrigação genética, não o fez como vou confiar em qualquer outro ser humano?
A minha descrença no Homo Sapiens em geral me tornou um cético altamente questionador, graças a Deus, ou melhor, graças a mim! Que resolvi encarar a realidade que o homem é mentiroso por natureza.
Infelizmente a minha descoberta freqüentemente se volta contra mim dificultando todas as minhas relações desde então.

Assisto diariamente as pessoas mentindo fora do horário eleitoral e me pego flagrando interpretações dignas de Oscars, mas me calo envergonhado porque sei que também tenho algumas estatuetas na minha estante.
Em um momento de puro tédio ideológico acabei sentando para assistir a programação jornalística de domingo e, sem querer, acabei acompanhando, entre os quadros de humor, sem nenhuma graça do Fantástico, uma reportagem sobre o preconceito contra os gays no continente africano. Descobri então algo mais horrível que a gelatina de beterraba da minha mãe!
Descobri que hoje, em pleno século 21, a maioria dos governantes africanos considera crime as relações homossexuais, que em alguns países como o Sudão e a Nigéria, estão sujeitos a pena de morte.
Ou seja, os mesmos indivíduos, aqueles que até hoje na hora do almoço sofreram as mais violentas manifestações de intolerância da história, e agora desfrutam do direito natural à liberdade de expressão, condenam com a mesma ignorância outros que, assim como eles, lutam por respeito.
A ironia grotesca que grita de injustiças como essa, me deixa inconformado! Como a memória das pessoas pode ser tão curta?
Acredito que nesse caso específico, a mágoa sentida na pele deve ter criado raízes profundas e irreversíveis; e a essência da violência plantada anos atrás, desabrocha agora uma rosa carnívora de desapontamento e compensação.
Esses ex escravos, hoje supostamente, ‘vencedores’ no poder de seu país, em seus argumentos, culpam os gays pela proliferação do vírus HIV+.
Aliás, essa é outra questão que sempre me indignou muito: Se são somente os gays que transmitem a AIDS, entre si, por que os ht’s se preocupam tanto? Afinal, pela lógica preconceituosa deles, nos exterminaríamos amando homens e mulheres do mesmo sexo se envenenando com o vírus desse amor intoxicado.
Enfim... eu realmente espero que a consciência negra esteja pesada!

(...)

A verdade é uma só. Todo mundo mente! Gays, brancos, heteros, negros... Todos mentem muito e juntos! E sinceramente não consigo enxergar salvação para esse povo não civilizado que não seja mesmo a extinção apocalíptica em 2012.
Todos colocados a força dentro de uma versão modernizada da arca de Noé. Casais de todas as espécies enfileirados em fila indiana, de mãos dadas e com os rabos entre as pernas... Em meio aos outros animais nós talvez parássemos de nos sentir superiores, e quem sabe até aprendêssemos alguma coisa; Ou será que os outros animais que acabariam cedendo às nossas fraquezas?
Quase posso ver os leões virando ditadores, elefantes anoréxicos, veados machistas, macacos loiros e águias corruptas... Pensando bem é melhor poupar os animais que são puros por natureza! Isolem os humanos em um espaço onde eles não possam corromper os outros animais.
E lá, nas câmaras mais isoladas e pouco arejadas, estaríamos nós, os seres humanos. Uma vez lá dentro nos reagruparíamos divididos por cores e afinidades forçadas. Estariam todos os pretos, amarelos, vermelhos e coloridos e qualquer outra tonalidade destoante!
A subdivisão seria física e espacial, e de dentro do isolamento daqueles que foram escolhidos e excluídos seriam ouvidos lamentos em letras de músicas, gritos em letras de forma e histórias de amor e superação em letra escarlate.Iríamos reaprender a ler e reescrever o dicionário, sem palavras como: “denegrir” e quando as luzes se apagassem seríamos todos da mesma cor!
O lado branco por sua vez seria justamente a ausência de cor e de alegria. Falta de consciência, ausência de tonalidade e de sofrimento. Não se colore e não se mistura. Só se suja.
Sozinhos eles perderiam o controle da taxa de natalidade e logo se cansariam da repetição dos seus traços não miscigenados!
Depois de entediados com a raça 'pura' que se formou se julgariam incestuosos por amar – sem tanto entre si e acabariam rompendo as barreiras que os separavam dos animais irracionais e felizes, fazendo filhos neles, buscando na reprodução da sua imperfeição o alívio sexual imediato da consciência através da violação de outra espécie, mais uma vez, assim como fizeram conosco, e fazemos até hoje.

A arca de Noé se transformaria numa espécie de navio negreiro e afundaria naturalmente... E aqueles que estavam presos no convés rindo e dançando seriam os primeiros a morrer, renascendo no dia seguinte, com asas roxas de borboletas, bonitos por dentro e por fora.

3 comentários:

mah disse...

oi meu amorrr, aqui quem fala é a loira da sua vida, nao vou falar meu nome pra ter certeza q sou a loira da sua vida, mas pela neurose vc ja deve ter mais certeza quem é..hahahaha!
vim fuçar aqui e to de boca aberta de como vc escreve bem, se expressa, usa as palavras...muito bom os textos, parabens...te amo mtooooooooooooo vida !!!!!!!

mah disse...

ah nao sabia que meu nome ficava aparecendo =/ hahaha pelo email do google..e close na foto colegial antigassa hauhauhauha...te amo*

Silvio disse...

Dia 13 de maio comemora-se a suposta libertação dos escravos aqui no Brasil. Que liberdade é essa? Os negros (não só na cor da pele, mas na ideologia) devem ganhar sim, a cada dia, uma recompensa por terem sido subjugados por tanto tempo. Mas esta compensação não deve vir com mais violência, como esta que tomamos conhecimento na África. Também fiquei estarrecido com a reportagem. E mais estarrecido ainda porque não vi uma manifestação sequer (nem nesses e-mails de abaixo assinado que rola pelo mundo, por exemplo, em relação aos problemas ambientais que vivemos)contrária a esse absurdo africano! Mesmo otimista ao extremo, confesso que esse tipo de coisa mina minhas esperanças no ser humano. Há saída para esta raça?